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Zona sul consome drogas e quem paga o pato são as comunidades’, diz Eike sobre lições de Bangu

© EPA “Aprendi lá em Bangu que tem muita gente que vai para lá,

 jovens, que não são ressocializados. Isso para mim é gravíssimo”, diz Eike

“Pobreza é relativo.” “Querer ser o homem mais rico do mundo” foi “frase estúpida”. “Ser um pavão no meio da comunidade miserável não tem graça nenhuma.” “O Brasil cresce que nem rabo de cavalo, para baixo e para trás.” “Não confio em empresário que não errou.” “Eu me considero sinceramente humilde.”

Aos 62 anos, em um retorno aos holofotes depois de “cinco anos hibernando para resolver megaproblemas”, o magnata Eike Batista continua uma metralhadora de frases de impacto.

Após uma queda livre do posto de sétimo homem mais rico do mundo, dono de uma mansão com um carro de luxo na sala de estar, para a bancarrota, com direito a fotos em um camburão nas páginas policiais de jornais, Eike promete voltar ao topo por meio de um “retorno às origens”.

“Estou voltando à área de mineração com ouro, fertilizantes, e outros, e também na área de nanotecnologia, na área química e na área de materiais, onde está o grafeno e a hidroxiapatita”, diz.

O caminho inclui investimentos em dez novos unicórnios, palavra que repete diversas vezes em mais de uma hora de entrevista à BBC News Brasil. “Unicórnios são aqueles investimentos que têm potencial de rapidamente render bilhão de dólares. E o meu negócio essencialmente é vender minha expertise para esses negócios.”

Ele recorre em liberdade a uma condenação de 30 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro – segundo a sentença do juiz Marcelo Bretas, do braço fluminense da Operação Lava Jato, Eike pagou US$ 16,6 milhões (o equivalente na época a R$ 51,9 milhões) ao então governador Sergio Cabral (MDB). Também foi condenado a uma multa de mais de R$ 500 milhões por falta de transparência em negociações de ações da petroleira OGX.

Eike rebate todas as acusações, ao mesmo tempo em defende a meritocracia (“Total, né? No fundo, não importa etnia”) e que afirma ter se transformado após três meses na cadeia – um lugar “desumano”, nas palavras do empresário.

“Aprendi lá em Bangu que tem muita gente que vai para lá, jovens, que não são ressocializados. Isso para mim é gravíssimo”, diz. “A gente tem que entender que aquele jovem virou um avião e transportou não sei o que e foi pego no transporte e está ali por um tempo que não deveria.”

O empresário ficou pobre, como muitos dizem nas redes sociais? Ele mesmo responde – confira a seguir os principais trechos da entrevista e assista à versão mais longa no canal da BBC News Brasil no YouTube.

BBC News Brasil – O senhor ainda mora naquela mansão do Jardim Botânico?

Eike Batista – Sim, eu moro naquela casa que eu construí 40 anos atrás.

BBC News Brasil – Muita gente disse, logo depois que a tormenta começou, que Eike teria ficado pobre. Não parece ser bem assim.

Batista – Na verdade, o meu verdadeiro patrimônio está na minha cabeça. Olha, pobre é muito relativo. Eu sou um cara modesto, de família de classe média. Óbvio, moro numa casa bacana, muito bonita, mas é um patrimônio que eu construí com os negócios que criei. Na vida do dia a dia, eu não sou um cara de badalar. Você nunca me viu em festas. Se eu saí em dez festas em dez anos, é muito. Então, você pode ter uma vida bem modesta. Eu gosto mesmo é de trabalhar. Ir do meu escritório para casa, tenho um filho pequeno que me dá muita alegria. É isso.

BBC News Brasil – Modesto, mas tinha uma Lamborghini brilhante na sala de estar.

Batista – É, mas essa Lamborghini já estava bloqueada há muito tempo. Eu só estava lá como fiel depositário. Não podia usar.

BBC News Brasil – Doeu vê-la ir embora?

Batista – Não, de novo, são bens materiais e não me apego a isso, não. Até pela maneira que eu consertei as minhas empresas: eu não me importei em abrir mão do meu patrimônio para resolver com credores e deixar os projetos, na verdade legados, continuarem. Esse desprendimento da riqueza. Em vez de brigar na Justiça, eu preferi abrir mão e vendi meus ativos muito barato para novos sócios que assumiram todas as obrigações e colocaram esses maravilhosos projetos em produção.

Você vai se surpreender se eu disser que hoje as empresas empregam mais do que antes. Então, ao contrário das empreiteiras, que demitiram dezenas de milhares de trabalhadores, eu não, os meus projetos continuaram. A minha empresa de petróleo foi a única que realmente foi megarreduzida, mas ela foi sempre um investimento de alto risco. Eu achei que poderia ganhar muito com ela e na verdade esses projetos de petróleo têm esse lado de alto risco, inclusive é importante sempre frisar que, em investimentos dessa natureza, é a natureza que arbitra você de certa maneira. A nossa perspectiva era uma e quando chegaram os resultados eles foram um terço, ou menos, e isso causou na verdade o efeito dominó em todas as empresas que a gente tinha e que me forçaram a vendê-las baratas. Mas eu nunca deixei nenhuma delas morrer. Mais uma prova desse desprendimento de dinheiro.

BBC News Brasil – O que o sr. está fazendo agora além de escrever em caixa alta no Twitter e bater papo com a garotada por lá?

Batista – Ah, caixa alta é meu pai. Na idade mais avançada, ele tinha dificuldade para ler a letra pequena e achava importante escrever assim e me habituei. Acho que a gente tem que ter a liberdade de escrever como acha certo, então eu escrevo em caixa alta. Em relação aos unicórnios, eu voltei à minha origem, que é a mineração, onde construí 12 minas no Brasil, no Chile, nos EUA, no Canadá, e onde eu sempre tive sucesso. Então, estou voltando à área de mineração com ouro, fertilizantes e outros, e também na área de nanotecnologia, na área química e na área de materiais, onde está o grafeno e a hidroxiapatita.

De novo, unicórnios são aqueles que têm potencial de rapidamente render bilhão de dólares. E o meu negócio essencialmente é vender minha expertise para esses negócios e como resultado ganhar um percentual grande desses ativos. Muita gente tem ativos e não sabe polir eles. Você pode olhar um monte de diamantes numa mesa e um cara vai te dar um preço por aquilo, mas eventualmente tem uma pedra ali que vale dez vezes o preço. Então eu sei identificar e engenheirar projetos, especialmente na área mineral.

BBC News Brasil – Houve um hiato, né? O senhor ficou um tempo fora dos holofotes. O que um homem que teve uma queda tão grande tem a ensinar a essa nova geração que está curiosa em te ouvir?

Batista – Eu fiquei cinco anos hibernando para resolver esses megaproblemas. Resolver US$ 25 bilhões em dívidas, reestruturar isso de maneira que os projetos ficassem em pé, para mim foi um orgulho e muito trabalho. Não tinha muito o que se falar nessa fase. Em paralelo, comecei a cultivar esses novos unicórnios e o que tenho a dizer para os jovens é: olha, se você tem boas ideias, sonhos, obstinação, é uma parte fundamental disso. Mas também não aquela obstinação boba. Gaste até 10% do seu capital eventual para estudar profundamente o negócio que você está pretendendo fazer.

Faça uma pesquisa de mercado se você, sei lá, está abrindo uma padaria, uma franquia, e não entre no oba-oba. Vejo muito que muita gente acha que sua ideia foi espetacular, que o produto que vai produzir na padaria é o melhor pão da praça. Tenha a humildade de fazer um estudo ao seu redor. É o que eu chamo de método 360 graus de você estudar os assuntos. Você tem que ser bom na engenharia de pessoas, na engenharia jurídica – a papelada tem que estar toda em ordem, engenharia de pessoas – você tem que escolher as pessoas certas. Eu não tinha bola de cristal para avaliar desonestidade de pessoas com falta de caráter. Isso me força hoje a ficar mais próximo de todos os negócios e realmente analisar pessoa por pessoa. Isso bate muito no empresário que está começando porque você tem que escolher ou o sócio certo e ou os colaboradores certos.

BBC News Brasil – Autoavaliação: em que o sr. mudou, lá da pujança, no início dos anos 2000, até aqui? O que aprendeu naqueles três meses em Bangu, em que é diferente hoje?

Batista – Olha, primeiro, aquela frase estúpida de “eu quero ser o mais rico do mundo…” Eu quero ser o mais generoso, se existe isso. Quero ser um cidadão que consiga ajudar a comunidade mais ainda. Segundo, eu aprendi lá em Bangu que tem muita gente que vai para lá, jovens, que não são ressocializados. Isso para mim é gravíssimo. A mídia fala muito disso também, outro dia vi um negócio do (Drauzio) Varella, aquele médico que era médico em presídios também. Ele obviamente falou com muita propriedade sobre isso também. A gente precisa fazer algo para aqueles jovens não ficarem lá dentro e serem ali aliciados para facções e tudo mais. Isso realmente não pode acontecer. Não sei, vou tentar bolar fórmulas aí, assim que eu começar a gerar riqueza de novo numa escala para poder mudar esse quadro. Não sei direito ainda, mas ali eu aprendi isso. Ali acontecem injustiças que… Pegando o que você falou, né? A gente tem que entender que aquele jovem virou um avião e transportou não sei o que e foi pego no transporte e está ali por um tempo que não deveria.

BBC News Brasil – O sr. considera a legalização das drogas um caminho?

Batista – Olha, se estão fazendo no mundo e está funcionando… Eu não sou estudioso nessa área e não queria opinar muito nisso, não, porque vão usar isso de alguma maneira, então não quero opinar porque não sou expert na área. Mas eu sinto que a criminalização como é, porque quem consome é a zona sul, né? Eu por acaso não consumo e isso não faz parte da minha vida. Mas a zona sul consome e quem paga o pato na hora do embate são as comunidades mais carentes. Então tem um erro aí. Não é pode ser!

BBC News Brasil – O sr. aprendeu isso em Bangu?

Batista – Não, eu já tinha essa consciência antes, mas lá você vê um jovem, uma pessoa em formação, que é jogada em um ambiente que… Se as cadeias fossem lugares para ressocialização, tudo bem, como na Europa, sei lá, em outros lugares, mas as instalações não são adequadas. Outra coisa que é uma vergonha, esse negócio das quentinhas, onde também tem corrupção, na maior parte das vezes o arroz não tinha nem sal, né? Você pode confundir aquilo com plástico, você tá comendo um plástico. Então é muito desumano.

BBC News Brasil – Qual foi a cena mais forte? Aquela que você não esquece…

Batista – Eu sou um cara comunicativo, eu me integro. Só para lembrar, eu comecei minha vida comprando ouro em garimpo. Eu dormia numa rede. Então, as pessoas não sabem avaliar… Ah, o Eike bilionário. Não, não, não. Eu sou um jovem de classe média que teve uma educação fantástica, e pai e mãe como excelentes exemplos. Mas viver a coisa simples, para mim não importa. É um desafio, passei por isso, você aprende sempre. Acho que sempre, com as pessoas que me conhecem, eu sou um cara humilde. Acho que, falando com a mídia, que eu percebia sempre como provocativa, na minha visão, e não entendia o tempo que era necessário para projetos funcionarem, eu me considero um cara sinceramente humilde.

BBC News Brasil – Um argumento que o sr. deu para a Justiça e tem repetido é que você não sabia do que estava acontecendo, do suposto esquema de propinas ou pagamentos, mas que talvez houvesse pessoas a seu redor que soubessem e estivessem fazendo esses atos. “Não ter bola de cristal” é o argumento mais frequente em casos de corrupção. Como quer que se acredite que o sr., este “homem 360” como mesmo se apresenta, não saberia?

Batista – Acabei de falar: você não tem bola de cristal, numa empresa de 20 mil funcionários, para saber o que todo mundo está fazendo. Talvez mais importante do que tudo, a gravação onde o réu confesso Sérgio Cabral diz com clareza que “com Eike Batista não teve toma lá dá cá”. Nunca teve, essencialmente por quê? Os meus projetos começaram sempre quando não tinha nada. O meu superporto (Porto do Açu), que hoje todo mundo preza como um imenso legado, que é, nasceu numa fazenda que tinha bosta de vaca, não tinha nada lá. Inclusive a placa de inauguração foi na época da ex-governadora (Rosinha) Garotinho. É até curioso. Com certeza, o governo, prefeituras e governadores, eles quando não viam nada deviam achar: “esse Eike aí vai investir muito dinheiro, vai empregar gente e para nós é bom, mas ele deve ser totalmente louco”. Porque eu desenhava coisas que muita gente, inclusive a mídia, dizia que não ia ficar pronto, que ia afundar, que já afundou. E hoje está aí esse colosso que serve o Brasil. Principalmente o Brasil do pré-sal, sem o Açu, ia ter grandes dificuldades de ser desenvolvido. Só para dar um exemplo de que os meus negócios não precisavam de autoridades. Eu nunca tive um contrato com o governo! Eu não prestava serviços, não tinha nada para oferecer, nunca recebi um cheque deles.

BBC News Brasil – Mas, o sr. queria, por exemplo, administrar o Maracanã…

Batista – Não, olha que engraçado. Eu queria colocar o conteúdo da minha empresa IMX, a empresa que tinha conteúdo. Dentro da IMX eu tinha o Cirque de Soleil, o ATP de tênis, enfim. Era uma empresa de eventos, que hoje pertence a Mubadala (Development Group) – eles chamam de IMM – e depois levar o conteúdo lá para dentro. Então, nós saímos. Eu era simplesmente alguém que ia aportar conteúdo, não ser sócio do negócio. No início até interessou. Depois, quando entraram os empreiteiros, não preciso te dizer que eles me tiraram de tudo o que é negócio. O meu estaleiro do Açu não recebeu uma encomenda de navios porque já estava alocado para eles. Eu não tenho nada a ver com isso e agora está na hora de falar isso porque, de novo, a oportunidade do próprio Sérgio Cabral, onde se criou essa acusação inicial comigo, (disse) “com Eike Batista nunca teve toma lá da cá” porque eu nunca precisei.

BBC News Brasil – O sr. emprestava o seu avião para Sérgio Cabral por quê?

Batista – Excelente situação. Eu tinha três aviões e o governador sabia que o meu avião estava no pátio e muitas vezes me perguntavam: “ah, o governador pediu um negócio que fica difícil você negar”. Só para lembrar que é importante, e quero te questionar se você sabe disso: houve aquele infeliz acidente, acho que com um familiar da família Cabral, e eu aproveitei logo em seguida a oportunidade para dizer “Eu nunca mais empresto um avião para políticos”. Você lembra disso?

BBC News Brasil – Não me lembro.

Batista – Então, por favor! Foram três vezes que emprestei o meu avião, nessa base do “pô, me empresta aí, eu sei que o avião está lá”, você empresta mesmo. E a infelicidade que aconteceu com esse acidente, eu aproveitei a oportunidade e disse, olha, eu nunca mais empresto as minhas aeronaves para políticos e foi o que aconteceu.

BBC News Brasil – O sr. decidiu limpar a lagoa Rodrigo de Freitas: pelo que entendi, foi uma retirada de sedimentos do fundo que gerava uma mortandade enorme de peixes. Isso foi um favor para o Rio de Janeiro? O almoço era de graça para o governador do Rio? Você limpou a lagoa por caridade?

Batista – Eu limpei a lagoa pelo meu profundo senso de comunidade. O governador não tinha nada para me dar. O que ele tinha para me dar? Nada, não tinha nada. Obviamente temos governadores que enxergam projetos que começam como nada e vão virar coisas muito grandes, mas são poucos. E eu coloco a mídia nisso também. No quarto, quinto ano, quando eu era muito cobrado por atrasos e tudo mais.

BBC News Brasil – Minha pergunta é se o sr. não percebeu algo de esquisito no comportamento do Cabral? Não estamos falando de um esquema pequeno de corrupção.

Batista – Ricardo, veja bem. Os empreiteiros me quebraram, né? Na encomenda das plataformas, eu construí um estaleiro, gastei bilhão num estaleiro, porque da mesma maneira que o meu conceito de gerar energia era o mais barato e eu ia ganhar o leilão, os equipamentos que a Petrobras encomendava, encomendava só com carta marcada. Então, eu estava fora. Eu não fazia parte desse grupo. Eu nunca fiz. Só para você saber, que é importantíssimo: nenhuma dessas empreiteiras da Lava Jato trabalhou nos meus projetos. Curioso, né?

BBC News Brasil – E se o Cabral tinha esse esquema com as empreiteiras, como o sr. mesmo está dizendo, por que ele não te assediaria?

Batista – Porque ele não tinha nada para me dar. Eu não tinha um contrato seja de prestação de serviços, ou construir alguma coisa. O governador participava do negócio do Metrô, tinha que ser a canetada dele lá para a empreiteira poder cobrar um bilhão, dez bilhões, e pagar de volta, né? Eu não tinha nada para receber do governador! Nada, absolutamente nada. Eu não tinha quentinha para oferecer, para receber dinheiro de alguma secretaria… Nada! É tão óbvio.

Você sabe disso: uma mentira dita duas ou três vezes, ela vira uma verdade. Quando ela é escrita, então, e eu estudei isso um pouco, isso é gravado aqui em uma parte do cérebro, fica marcado de uma maneira que a mentira vira verdade mesmo. E, hoje, o triste é o seguinte: na mão de outros, o que? Todo mundo está feliz que o porto do Açu hoje pertence a empresas estrangeiras. Tudo bem, que estejam. Poderia estar na mão de um brasileiro. Mas vou fazer o quê? Essa história foi assim que aconteceu.

BBC News Brasil – O sr. acredita em meritocracia?

Batista – Total, né? Eu acho que só. No fundo, não importa etnia… Se você tem o mérito, se você for o cara que trabalha mais, tem boas ideias, consegue colocá-las em prática, né, eu acho que na China é assim, nos EUA é assim. Os números do Brasil são mais ou menos esses: 70% do PIB, ou mais até, são constituídos pelo micro, pequeno, médio e grande empresário, né? Somos nós que carregamos a carga dos empregos nas costas, né? Então, numa empresa privada, é sempre o mérito. É aquele cara que está trabalhando algumas horas a mais e quer ganhar um extra para dar uma vida melhor para a sua família, é o taxista que em vez de trabalhar oito horas como trabalha alguém numa companhia trabalha 12 horas, e trabalha mesmo, isso é tudo mérito. Ele ganhou mais porque trabalhou mais. É muito simples.

BBC News Brasil – É tão simples assim? Eu estou aqui imaginando o garoto do morro dona Marta, ali perto da sua, perto de onde estudaram os seus filhos. Para ele a trajetória é tão simples quanto o que você descreve? O seu mérito é tão facilmente alcançável para alguém que não nasceu numa família de descobridores de ouro, como é o seu caso?

Batista – Lógico, poxa, cada um nasceu no berço em que nasceu. E você tem razão: o Brasil é um dos países com maior desigualdade econômica do planeta, e é triste pensar nisso. Mas no fundo… educação… Você fala muito do meu pai, mas meu pai não acumulou muito patrimônio porque nós sete filhos consumimos tudo o que ele tinha. Porque, só para lembrar, na época dele, na geração dele, mesmo sendo presidente de empresas estatais, você ganhava o suficiente para pagar a conta de sete filhos, que é educação, comida. Então, o patrimônio da minha família foi educação. Mas aí, se você está comparando com alguém de comunidades, realmente, educação é o que dá esse lastro, cara. Eu sou o que eu sei. Isso ninguém me tira. Patrimônio se vai, mas minha cabeça não se vai. Ela está aqui e enquanto ela funcionar… Então, educação é essencial para todos.

Com o advento da internet, o ser humano tem acesso a toda informação do mundo. O importante é saber processar essa informação porque tem informação demais, né? Você está abarrotado de informação, o difícil é saber o que é importante nessa avalanche, nesse tsunami de conhecimento a que todos têm acesso. Em 2002, 60% ou 70% da população brasileira não tinham um telefone. O fato de hoje, imagino que 90% dos brasileiros tenham telefone… Ali você tem informação infinita. Desde poder comprar coisas mais barato, que é uma coisa prática do dia a dia, seja a informação de um jovem desse da comunidade que se interessa por química, pelo mundo da nanotecnologia. Vai ler, está tudo aí. Qualquer pessoa acessa a livraria do Congresso dos Estados Unidos. Você já acessou ela, por acaso?

BBC News Brasil – Eu já.

Batista – Desculpa, desculpa.

BBC News Brasil – O caminho da meritocracia é diferente para um cara com acesso a educação em relação a outro que tem todos os percalços de alguém com difícil acesso ao básico: a alimentação, educação etc?

Batista – Claro, né? Por isso que o nosso sonho como brasileiro devia ser que, como nos países escandinavos, que todos os jovens tenham acesso a informação infinita, bem assessorados, porque você precisa de um professor para te orientar, né? Se não também, como eu falei, há excesso de informação e você tem que meio focar numa hora, né, você não pode também fazer tudo? Então, sim, o sonho é que todos tenham a mesma chance.

BBC News Brasil – E enquanto isso não acontece, a meritocracia funciona plenamente?

Batista – Meritocracia, vamos lá. Imagino que um jovem hoje que more numa comunidade, que trabalhe, queira buscar… Estou vendo hoje aqui esses serviços de entregas que estão explodindo no Brasil, de entregas, uma espécie de Uber mais modesto, que você pode usar uma bicicleta, uma moto. Imagino que começa a ser uma oportunidade de ganhar um dinheiro, obviamente quem trabalhar mais ganha mais, mas a possibilidade de sentir a meritocracia já começa aí. Mais de dez anos atrás, nãos e tinha crédito para comprar uma moto. Hoje, se não me engano, com R$ 200 você paga uma cota para a compra de uma motocicleta. Então, tem que ter mais disso. Muito mais disso. E o objetivo, na essência, para o futuro, é que a gente seja um país mais igual. Eu sempre digo: ser um pavão no meio da comunidade que é miserável não tem graça nenhuma, não tem graça nenhuma.

A gente nunca fala isso, mas eu investi do meu dinheiro mais de R$ 500 milhões em várias coisas sociais. Tenho orgulho que já fizemos mais de 15 mil operações de coração em crianças aqui no hospital Jutta Batista. Dar de volta à comunidade foi algo que a minha mãe ensinou aos sete filhos. A gente tem que devolver para a sociedade. Eu conheço muitos brasileiros numa certa classe social que acham que a meta é morar em Miami, em Portugal. Se eu fico 97% do meu tempo no Brasil, é porque eu adoro isso aqui. E a maior parte desses empresários acham que aqui estão de passagem. Eu não estou de passagem, e eu espero que você também não.

BBC News Brasil – Falando em passagem, o sr. está com seu passaporte, Eike? Você pode viajar?

Batista – Não, eu tenho que pedir autorização para viajar, aí eu poderia. E como eu não pedi… Como eu falei, adoro o Brasil…

BBC News Brasil – O que falta, na sua opinião, no brasileiro para que o Brasil melhore?

Batista – Educação, educação, educação. Muito de casa. Com 62 anos, você começa a estudar o ser humano. E você vê que caráter tem que vir de casa. É de casa que o pai e a mãe colocam a semente de que olha, isso aqui não é seu… Isso vem de casa. Então, educação, educação e até a dos pais. Não sei quanto tempo vai demorar para o Brasil morar como um todo, mas é isso que acredito.

BBC News Brasil – Em torno do senhor existe uma imagem muito forte de um cara que transforma dinheiro em muito dinheiro. O cara que transforma um investimento talvez modesto ou comum em um unicórnio bilionário. Me dá cinco dicas? Para o cara que está bem longe disso, o dono da padaria, o cara que está se formando na universidade?

Batista – Primeiro, tenha fome incansável pelo conhecimento. E se você tem paixão por uma área específica, que cada um de nós é diferente… que seja o cara que quer fabricar prancha, por exemplo. Que ele venha buscar todo o conhecimento que existe no mundo sobre como se fabrica uma prancha, e venha bolar uma prancha inovadora. Com design diferente, um material diferente – por exemplo, o grafeno, que é um material – então, isso se aplica a qualquer setor. Se quiser voltar à padaria, poxa, não me faça uma padaria num bairro que já tenha três, né? Só porque você acha que o seu pão vai ser o melhor. É muito estudo. Você leu o livro Originals (livro de Adam Grant)?

BBC News Brasil – Não li, não.

Batista – Eu lendo o livro, pensei: eu sou um bicho desses. O que são os Originals? São essas pessoas que criam empresas de bilhões, mas elas são muito cautelosas, estudam muito o assunto. O Bill Gates está nisso, o Jeff Bezos. Você tem que ter a capacidade de enxergar o seu entorno e ver que sua ideia não é só mais uma no meio do galinheiro… Você tem que ser algo diferenciado, especial. O Mark Zuckerberg, na hora em que ele bolou aquele algoritmo dele e experimentou lá, na faculdade, e baixou os computadores que não conseguiam processar o negócio, ele viu que estava com um negócio extraordinário na mão, você concorda? Mas ele fez um teste. Obviamente nessa área de algoritmos, computadores e aplicativos, você não necessariamente precisa de muito dinheiro no início. O que é bom, vocês que têm matemática na cabeça, jovens, bons em criar algoritmos para aplicativos…

Você vê, os Correios no Brasil não funcionam. Apareceu essa Rappi e a Loggi e já são dois unicórnios. Lastreados em quê? Na entrega da última milha, que é uma mega deficiência, porque o Correio não faz isso. Então, arbitre sempre uma ineficiência. E ineficiência temos em volta toda hora. Arbitrar uma ineficiência, fazer um produto melhor e mais barato. O que é arbitrar uma ineficiência? Fazer algo melhor e mais barato. A essência dos aplicativos é isso. O Correio cobra por uma tarefa R$ 20, eu vejo aqui no app e ele te faz por R$ 7. E se comprar a mensalidade, você tem o serviço pelo mês inteiro. Que é o modelo da Netflix. Imagina, eu sou da geração em que meus filhos iam às locadoras, na Blockbusters, pegavam lá dez vídeos, não entregavam, e eu tinha que pagar R$ 2.000 no final do mês.

BBC News Brasil – O sr. pagava R$ 2.000 de multa na Blockbuster?

Batista – Pagava, pagava. Porque, vários filhos espalhados… Entrega o seu, entrega o seu, e acabava ficando lá. Por que, você não atrasava na Blockbuster? (risos)

BBC News Brasil – Eu paguei R$ 3… R$ 3,50…

Batista – (risos) Você era megadisciplinado. Ótimo. Disciplina. Uma das coisas que eu ensino às pessoas e que fiz comigo mesmo. Você criar uma autodisciplina: que seja começar andando cinco minutos, vai para dez, acaba em 30. Depois começa correndo cinco. Você se autodesafiar a fazer exercício físico. Porque, olha, eu tenho 62 anos, mas tenho um estamina da garotada de 30. Graças a Deus. E qualquer pessoa pode fazer isso. Oxigênio no cérebro é um catalisador de ideias. Isso com certeza não é só para mim.

BBC News Brasil – Vê com bons olhos esse início de governo?

Batista – Não me coloco na posição de elogiar ou não ninguém. Para mim, é o Brasil que interessa.

BBC News Brasil – Vocês e Bolsonaro se conhecem?

Batista – Não, não o conheço.

BBC News Brasil – Como é que os investidores com quem o sr. tem conversado estão vendo o governo Bolsonaro?

Batista – Não sou político e vou dizer o que é prático, o que importa: se passando a reforma da Previdência, os estrangeiros enxergam isso como um grande passo para abrir de novo os bolsos para investir no Brasil. Porque o Brasil tem uma demanda reprimida em quase tudo. É só você voltar a empregar. As pessoas precisam consumir de tudo, até comida. Nos últimos cinco anos, a gente está crescendo que nem rabo de cavalo, para baixo e para trás. Engraçado, mas é triste. Sabe aquela situação em que espremeu, espremeu, espremeu?

Se esse governo conseguir, e parece que está conseguindo, a reforma da Previdência e depois a reforma tributária, olha, nós vamos ter um Brasil novo. Perdemos aí cinco ou seis anos nessas crises, porque com o tamanho das crises as pessoas ficam ressentidas, inclusive os brasileiros, né? Você vê que o entusiasmo no início foi mais rápido porque todo mundo achava que a reforma da Previdência pudesse acontecer mais rápido. Então, você vai adiando, vai adiando, e os investidores grandes brasileiros ficam ressabiados.

BBC News Brasil – O que o sr. aprendeu com seu pai?

Batista – Meu pai foi um homem extraordinário pelo que fez, pela visão que já tinha na época. Ele na verdade trouxe o Japão inteiro para o Brasil. A Vale do Rio Doce foi inicialmente lastreada no Japão, como grande comprador das matérias-primas da Vale do Rio Doce. Eu sou um de sete filhos, então ninguém beneficiou ninguém em nada. E como ele sempre foi um funcionário de empresas, mais públicas, ele nunca entendeu o conceito de risco, a que eu me expus. No setor privado, é o seu capital que está ali queimando.

Eventualmente, se você errar… Você vê, eu errei numa escala gigante. Mas já tinha errado antes em algumas tentativas. Errar absolutamente faz parte do empresário de sucesso. Eu não confio no empresário que não errou. Aquele que não errou, acha que sabe voar. Não sabe, não, ninguém sabe voar. Aquele negócio do trapezista, né? Se achar que sabe voar… Esse trapezista vai cair! Então, o que aprendi do meu pai foi pensar grande.

BBC News Brasil – Momento autocrítica: o que sr. fez e não deveria ter feito?

Batista – Talvez eu cresci muito rápido e fui incapaz de descobrir falhas no seu management. É difícil, te obriga uma disciplina muito maior na escolha das pessoas. E também pacote de remuneração mais alinhado com resultado. Naquela época, 2010, 2011, 2012, o Brasil estava bombando. Era difícil atrair gente. Então você atraía e falava assim: olha, você vai trabalhar comigo, você vai receber ações no final do ano, mas essas estão bloqueadas por três anos. Esses três anos, como falei antes, não foram suficientes para os projetos estarem produzindo. Então, no quarto ano você já começa a dar e o projeto não estava produzindo. Esse desequilíbrio nesse timing foi um erro dramático. Alinhar os resultados com a remuneração dos seus executivos. Ganhou, distribuiu, não ganhou, fica mais tempo preso na companhia.

BBC News Brasil – Errou também na comunicação com investidores? Vocês foram precipitados em gerar euforia com algo que não se confirmaria depois?

Batista – Na área de petróleo, eu contratei o que tinha de melhor, supostamente, no mercado. Eu era um comunicador que era informado e passava. Então, os comunicadores oficiais da empresa, normalmente o diretor financeiro, que se comunica trimestralmente com os bancos, que seguem a ação, ele e o técnico estavam lá conversando, não era eu. Eu não falava tecnicamente, especificamente do assunto. Isso era feito pelo pessoal técnico da companhia, o diretor financeiro e eventualmente o Chief Operating Officer da companhia, que se comunicavam trimestralmente com os analistas dos vários bancos que cobriam a companhia.

Por exemplo, a gente fez uma parceria com a Exxon, em abril de 2013, pouco antes da crise fatídica, da auditoria da consultoria que a gente fez para ter um relatório final. A gente fechou com a Exxon e a Total, quer dizer, a Exxon era a maior empresa de petróleo do mundo, Total, a terceira, quarta, quinta maior do mundo, elogiando o nosso pessoal. O que você quer que eu diga? Ou seja, se elas me dão um carimbo e fazem uma parceria comigo, porque nós ganhamos blocos num leilão junto com eles. 50%, 50%. Então, se você fosse um fanático por automóveis e a Mercedes-Benz topa ser seu sócio, no seu empreendimento, o que você avaliaria de você mesmo? Vou repetir: dois meses antes daquele relatório, fechamos parcerias com a Exxon e a Total.

BBC News Brasil – Então não dá para evitar que isso se repita. É esse o recado?

Batista – Olha, o que aconteceu no mundo do petróleo. A sísmica, que também são algoritmos, hoje são muito mais eficientes. A taxa de você errar um poço hoje é baixíssima. Com a sísmica, você está enxergando o que está lá dentro. É que nem uma tomografia ou essas ressonâncias. Evoluiu sobremaneira. Se o seu telefone evoluiu, e a informática, e aplicativos, algoritmos, imagina o que evoluiu também no mundo físico para se descobrir petróleo numa bacia tão rica quanto a brasileira.

BBC News Brasil

Parlamento aprova adesão da Venezuela a tratado que ampararia intervenção

© YURI CORTEZ Guaidó comemora após votar

pelo retorno do tratado

O Parlamento venezuelano, controlado pela oposição, aprovou nesta terça-feira o retorno do TIAR, um tratado de defesa regional que é considerado o marco legal para uma eventual intervenção militar no país petroleiro.

Durante uma sessão em uma praça em Caracas, o Legislativo transformou em lei o projeto que reinstala a Venezuela no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), do o país qual foi retirado em 2013.

“Aprovada por unanimidade de todos os presentes. É sancionada assim (a lei)”, disse o chefe do Parlamento, Juan Guaidó, que nesta terça-feira completa seis meses em que se autoproclamou presidente interino da Venezuela.

Guaidó é reconhecido por cinquenta países, incluindo os Estados Unidos, que não descarta a ação armada na Venezuela para expulsar o presidente socialista, Nicolás Maduro, do poder.

“O TIAR não é mágico, não é um botão que pressionamos e amanhã tudo está resolvido. Chegamos a esse ponto por tudo que construímos há anos”, disse o opositor diante de mil pessoas entre deputados, embaixadores e simpatizantes.

Guaidó ainda disse que esse passo permitirá o estabelecimento de “alianças internacionais” para “proteger e defender o povo e a soberania venezuelana”, sem mencionar explicitamente uma intervenção estrangeira.

No entanto, o líder não descarta essa opção para acabar com o que ele denuncia como “a ditadura de Maduro”, que o Legislativo já declarou em “usurpação” de poder por considerar que sua reeleição em 2018 foi fraudulenta.

A iniciativa foi aprovada no primeiro debate em 28 de maio.

O tratado do TIAR foi acertado em 2012 pela Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela, esta última sob a presidência do falecido Hugo Chávez (1999-2013).

Esses países argumentaram que o pacto – em vigor desde 1947 – foi mortalmente ferido após a guerra de 1982 entre a Argentina e a Grã-Bretanha pela soberania das Ilhas Falkland (Malvinas), quando os Estados Unidos não apoiavam Buenos Aires.

A reentrada no TIAR, no entanto, permanecerá em um limbo jurídico, uma vez que as decisões do Legislativo são consideradas nulas desde 2016 pelo Supremo Tribunal de Justiça, de linha oficial.

 afp.com

Raquel apela a Toffoli contra suspensão de investigações com dados do Coaf

 A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recorreu nesta terça-feira (23) contra a decisão do presidente do Supremo Tribunal FederalDias Toffoli, que suspendeu o andamento de todas as investigações em curso que tenham dados bancários ou fiscais repassados ao Ministério Público pelos órgãos de fiscalização e controle sem prévia autorização judicial.

Toffoli determinou, nesta terça, 16, a suspensão de processos judiciais que tramitam no País onde houve compartilhamento do órgão sem uma prévia autorização judicial, ou que foram instaurados sem a supervisão da Justiça.

A decisão do ministro, tomada na última terça-feira, atendeu a um pedido do filho do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), e teve repercussão geral.

No recurso – um embargo de declaração – a procuradora-geral sustenta que a decisão apresenta obscuridades que devem ser sanadas pelo ministro, de forma que possa ser analisada a possibilidade de apresentação de recurso.

A procuradora-geral afirma, em recurso, que ‘apenas em 2018, recebeu 414.911 informes de operações suspeitas dos entes legalmente obrigados, com indícios de crimes’. “Somando-se a elas as 2.720.584 de de operações em espécie, tem-se um total de 3.135.495 de comunicações feitas ao COAF em apenas um ano”.

“Dividindo-se tal montante pelo número de dias úteis em 2018 (252), chega-se à proporção de 12.442 de comunicações recebidas diariamente pelo COAF. Ainda que se leve em consideração apenas as operações suspeitas, foram 1.646 comunicações diárias no ano passado”, ressalta.

Segundo Raquel, a ‘magnitude e a frequência diária desses dados demonstra, por si, a importância e o impacto’ da decisão de Toffoli.

“Caso seja necessária a apresentação de requerimento ao juízo e consequente decisão judicial para que o Ministério Público (ou a Polícia) tenha acesso a cada uma dessas comunicações diárias – muitas delas, ressalte-se, que não resultarão em qualquer interesse investigativo posterior – nitidamente haverá desmantelamento do sistema antilavagem e o congestionamento de varas criminais, ofícios do Ministério Público e delegacias de Polícia, sobretudo aqueles com competência sobre delitos de lavagem de dinheiro e correlatos”, anotou.

Bunker de Geddel, Lava Jato, Mensalão e PCC

Em seu recurso, a procuradora-geral afirma que investigações emblemáticas tiveram auxílio de compartilhamento de dados do Coaf com autoridades.

Entre os casos mencionados, Raquel cita o bunker dos R$ 51 milhões atribuído aos irmãos Lúcio e Geddel Vieira Lima (MDB), casos da Operação Lava Jato, operações contra facções criminosas, como o PCC e a Família do Norte, além das investigações sobre João de Deus.

“Como se pode notar, a suspensão imposta pela decisão embargada atinge inúmeras investigações e ações penais em todo país, conforme têm informado os membros de diferentes Ministérios Públicos estaduais e Federal e colegiados nacionais, afetando sobretudo aquelas com a macrocriminalidade organizada, que se vale de sofisticadas engrenagens a fim de ocultar e garantir o usufruto das riquezas obtidas ilegalmente”, escreve.

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Fausto Macedo

PF prende 4 suspeitos de hackear celulares de Moro e Deltan

© Foto: Gil Ferreira/ABr

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira, 23, quatro suspeitos de invadir os telefones celulares de autoridades, incluindo o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da República e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, Deltan Dallagnol. Os agentes federais cumpriram os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto. Foram presos um homem e uma mulher na capital e outros dois homens nas cidades do interior paulista.

Os presos foram transferidos para Brasília. Segundo a PF, por questão de espaço, dois deles permaneceram na carceragem da superintendência e os outros dois, levados por volta das 23h desta terça para local não informado. A ação da PF, batizada de Operação Spoofing, foi determinada pelo juiz da 10.ª Vara Federal de Brasília, Vallisney de Souza Oliveira.

Um dos endereços alvo de buscas nesta terça foi a residência da mãe de Gustavo Henrique Elias Santos, em Araraquara. Santos, no entanto, foi preso na capital paulista. Ele trabalha com shows e eventos, segundo investigadores. Ao Estado, seu advogado, Ariovaldo Moreira, alegou não conhecer os autos da investigação e disse que pediu informações à 10.ª Vara Federal de Brasília.

“Liguei para a PF em Brasília para buscar garantias de que ele está lá. Eles me disseram que ele (Santos)poderia ter me ligado, mas soube que o telefone do Gustavo foi apreendido”, disse o advogado. A pedido da defesa, a PF adiou o depoimento de Gustavo Santos e de sua mulher, Suellen Priscila de Oliveira – também presa nesta terça. Os dois só falarão quando o advogado estiver em Brasília.

Além do casal, detido em São Paulo, a PF prendeu em Araraquara Walter Delgatti Neto, que já responde a processos por estelionato. Segundo informações da Justiça Eleitoral, ele foi filiado ao DEM. A defesa de Delgatti Neto não foi localizada. Há, ainda, um quarto preso, em Ribeirão Preto, não identificado até a noite desta terça.

O inquérito é mantido em sigilo e está sendo conduzido pelo delegado Luiz Flávio Zampronha, que, em 2005 e 2006, presidiu o inquérito do mensalão.

Autoridades

Além de Moro, procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Paraná e outras autoridades teriam sido alvo de hackers – no mandado de buscas, há menção ao desembargador federal Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região, no Rio, ao juiz Flávio Lucas, da 18.ª Vara Federal do Rio e aos delegados da PF Rafael Fernandes, em São Paulo, e Flávio Vieitez Reis, em Campinas.

A PF informou também nesta terça que vai investigar a suspeita de invasão nos aparelhos celulares do ministro da Economia, Paulo Guedes, e da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

Desde 9 de junho, o site The Intercept Brasil divulga supostas mensagens trocadas pelo então juiz federal titular da Lava Jato em Curitiba com integrantes do Ministério Público Federal, principalmente com Dallagnol. Foram divulgadas pelo The Intercept e outros veículos conversas atribuídas ao ex-juiz e a procuradores no aplicativo Telegram. O site afirmou que recebeu de fonte anônima o material, mas não revelou a origem. Moro nega conluio – ele e Dallagnol afirmam não reconhecer a autenticidade das conversas.

O ministro da Justiça já afirmou que a invasão virtual foi realizada por um grupo criminoso organizado. Para ele, o objetivo seria invalidar condenações por corrupção e lavagem de dinheiro, interromper investigações em andamento ou “simplesmente atacar instituições”.

Em 19 de junho, Moro passou oito horas e meia respondendo a questionamentos de senadores na Comissão de Constituição e Justiça da Casa sobre supostas mensagens que sugerem atuação conjunta com os procuradores quando ele era juiz.

Falsificação

Spoofing, segundo a PF, é um tipo de falsificação tecnológica que tenta enganar uma rede ou pessoa fazendo-a acreditar que a fonte de uma informação é confiável. “As investigações seguem para que sejam apuradas todas as circunstâncias dos crimes praticados”, informou a PF. A operação mira “organização criminosa que praticava crimes cibernéticos”.

O celular de Moro foi desativado em 4 de junho. O aparelho foi invadido por volta das 18h. Ele percebeu após receber três telefonemas do seu próprio número. O ex-juiz acionou então investigadores da PF. O último acesso de Moro ao aparelho foi registrado no WhatsApp às 18h23 daquele dia. O suposto hacker teria tentado se passar pelo ministro no Telegram.

 Fausto Macedo, Julia Affonso e Luiz Vassallo / SÃO PAULO e Patrik Camporez / BRASÍLIA

Em 10 anos, Brasil gastou R$ 6,4 bilhões com partidos

A conta para financiar as atividades dos partidos

 existentes no Brasil é gigantesca.

Nos últimos dez anos, o chamado fundo partidário repassou R$ 4,46 bilhões às legendas brasileiras. Os dados foram obtidos pelo site Congresso em Foco em consulta ao site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Se acrescentar o valor pago neste ano, R$ 329,97 milhões, a soma sobe para R$ 4,79 bilhões. No entanto, como os repasses são realizados mensalmente, a conta será ainda maior no fim de 2019.

Isso sem levar em consideração o dinheiro do fundo eleitoral nas eleições do ano passado, R$ 1,7 bilhão, o que eleva a conta para inacreditáveis R$ 6,4 bilhões.

Donos das maiores bancadas no Congresso Nacional na última década, o PT, o MDB e o PSDB lideram o ranking de arrecadação.

Os petistas faturaram R$ 630,18 milhões, os emedebistas levaram R$ 506,64 milhões e os tucanos ganharam R$ 498,36 milhões.

Oficialmente conhecido como Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, a verba repassada aos partidos aumentou ano após ano.

RENOVA Mídia.

Petrobras vende 35% da BR Distribuidora por R$ 9,6 bilhões

A operação foi considerada um sucesso. A demanda pelas

ações foi quatro vezes superior à oferta inicial.

 A Petrobras concluiu, nesta terça-feira (23), a venda de 35% das ações da BR Distribuidora pelo valor de R$ 9,6 bilhões.

Com essa venda, a estatal petrolífera passa a deter somente 37% das ações da subsidiária responsável pela distribuição de combustíveis.

No ano de 2017, a Petrobras já havia vendido 29% das ações por R$ 5 bilhões – até então, a BR Distribuidora era 100% estatal.

Com a negociação de 35% das ações nesta terça, o capital privado passa a ser majoritário na BR Distribuidora, informa o site G1.

RENOVA Mídia.

Paulo Guedes diz que preço do gás natural pode cair até 40%

“Nós temos certeza que o preço vai cair, porque nós vamos

aumentar brutalmente a oferta”, disse Guedes.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, assinou o decreto que institui o Comitê de Monitoramento da Abertura do Mercado de Gás Natural (CMGN), com o objetivo de estimular a competição no setor.

O objetivo do governo com essa política é concretizar a abertura para novas empresas, o que não ocorreu ainda.

Nesta terça-feira (23), durante a cerimônia de assinatura no Palácio do Planalto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou:

“É uma quebra de dois monopólios, basicamente. O monopólio de produção e exploração de gás natural, como recurso básico, e também dos monopólios estaduais na distribuição.”

Apesar de não cravar um número definitivo, segundo a agência EBC, Guedes disse que técnicos do governo estimam uma queda no preço do produto em até 40% em dois anos:

“Tem gente muito boa que estima em até 40% em dois anos a queda do preço do gás natural no Brasil. Nós temos certeza que o preço vai cair, porque nós vamos aumentar brutalmente a oferta, com um choque de investimentos no setor. Então, que o preço vai cair, vai, agora se vai cair 20%, 30%, 40% ou mais, não sabemos.”

RENOVA Mídia.

Suposto hacker da Lava Jato pedia ‘Lula Livre’ no Twitter

Um dos alvos de operação da PF tinha vários posts no Twitter

 relacionados ao Intercept, além de mensagens pedindo “Lula livre”.

Walter Delgatti Neto foi um dos alvos da operação lançada pela Polícia Federal (PF) na tarde desta terça-feira (23).

Nomeada de “Operação Spoofing“, a ação da PF mirou suspeitos de envolvimento na invasão do celular do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e do procurador da República, Deltan Dallagnol.

Coincidentemente, Delgatti Neto se tornou bem ativo na rede social Twitter a partir de 27 de maio, poucos dias antes da primeira matéria publicada pelo site panfletário Intercept, cujo cofundador é o militante norte-americano Glenn Greenwald.

Em seu perfil no Twitter, há várias postagens relacionadas ao Intercept, mensagens pedindo “Lula livre”, além de críticas à Lava Jato e ao governo do presidente Jair Bolsonaro.

Delgatti mantém fixado em seu perfil um tuíte com discurso recente do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, contra a criação de um fundo privado com recursos da Petrobras recuperados pela Lava Jato.

O último post de Delgatti é sobre o ataque cibernético contra o celular do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ao compartilhar uma matéria do blog petista Brasil247, ele escreveu: “Aí vem coisa hein kkk”.

Em junho, Delgatti Neto deu uma “dica” de como confirmar a autenticidade das mensagens roubadas do celular de Dallagnol.

“Mesmo apagando tudo, os caches ficam no celular, eles são arquivos fragmentados, sem o conteúdo da mensagens, mas com todas saídas e entradas de mensagens, EX: 23/04/2016 15:15:17 saiu uma mensagem, 15:30:18 recebeu uma, e se comparado com o material vai confirmar autenticidade!”, escreveu.

RENOVA Mídia.

Suspeitos de roubo de carro são detidos com arma em Maricá

Material apreendido foi encaminhado para a 82ª DP, em

Maricá, no RJ — Foto: Divulgação/Polícia Militar

Segundo a Polícia Militar, os suspeitos saíram de São Gonçalo.

Dois jovens de 19 e 24 anos foram detidos na noite desta terça-feira (23) por suspeita de roubarem um veículo na localidade de São Bento da Lagoa, no distrito de Itaipuaçu, em Maricá (RJ).

Segundo a Polícia Militar, os homens foram encontrados com uma pistola, 14 munições e quatro celulares.

Ainda de acordo com a PM, a dupla foi encontrada minutos depois de ter assaltado um homem e levar o veículo. Segundo a PM, os suspeitos saíram de São Gonçalo.

A polícia informou também que um dos detidos tem três anotações criminais por tráfico de drogas e roubo e o outro é suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo.

O caso foi registrado na 82ª Delegacia de Polícia.

O G1 tenta contato com a Polícia Civil para saber se a dupla foi encaminhada para alguma unidade prisional.

Por G1 — Região dos Lagos

Polícia confirma que cliente matou casal de tatuadores em Macaé para não pagar pelo serviço

Renan e Luiza foram mortos na noite de domingo (21)

 em Macaé, no RJ — Foto: Reprodução/Facebook

“Ele atirou para não pagar a tatuagem, ele já parecia ter tudo esquematizado”, disse um parente das vítimas assassinadas a tiros dentro de um carro de aplicativo em Macaé.

A Polícia Civil confirmou na noite desta terça-feira (23) que o casal de tatuadores foi assassinado por um cliente em Macaé, no interior do Rio, para que ele não pagasse pelo serviço.

De acordo com a Polícia Civil, o homem de 44 anos alegou ser cadeirante e pediu para que Luiza Barbosa Pereira, de 20 anos, e Renan da Silva Pereira Abade, de 19, fossem até casa dele para fazer as tatuagens, que custam cerca de R$ 5 mil.

Em depoimento, o falso cadeirante confessou para a polícia que pegou um carro por aplicativo com as vítimas, logo após o serviço. Ele alegou que iria buscar o dinheiro para o pagamento na casa de um amigo. No caminho, executou os dois jovens e baleou o motorista.

homem foi preso nesta segunda-feira (22) e transferido nesta terça para um presídio em Campos dos Goytacazes, também no Norte Fluminense.

Procurado pelo G1, um parente das vítimas informou que o suspeito havia planejado o crime, segundo informações passadas pela polícia para a família.

Renan era considerado um dos melhores tatuadores da região,

 segundo tatuadores — Foto: Reprodução/Facebook

“Ele atirou para não pagar a tatuagem, ele já parecia ter tudo esquematizado. Fazer a tatuagem e matar para não pagar “, revelou.

Segundo o delegado responsável pela investigação, Filip Poyes, outros tatuadores ouvidos também relataram ter recebido o mesmo pedido do suspeito para fazer tatuagens, mas eles se negavam a ir até a casa dele.

Segundo a família das vítimas, o casal havia se mudado para Macaé há 11 dias. Os dois eram de Tamoios, no segundo distrito de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio.

Os parentes informaram que só souberam do crime quando o motorista baleado teve uma melhora no hospital e contou os detalhes do crime para a polícia.

Um amigo do casal informou para o G1 que Renan era um dos melhores tatuadores da região.

” Ele era mega, ultra talentoso. Fazia realismo preto e cinza”, contou.

O casal foi enterrado na tarde desta terça em um cemitério de Cabo Frio.

A Prefeitura informou que, por motivo de segurança, não vai passar o estado de saúde do motorista internado no Hospital Público de Macaé (HPM).

Por Filipe Barbosa, G1 e RJ2 

Buscas por menino desaparecido em Saquarema são retomadas

Pietro Medeiros, cinco anos, desapareceu no mar de Saquarema

 no útlimo domingo (21) — Foto: Charles Medeiros / arquivo pessoal

Familiares de Pietro Pissuti Medeiros, de 5 anos, acompanham as buscas nesta quarta-feira (24).

O quarto dia de buscas por Pietro Pissuti Medeiros, de 5 anos, que desapareceu depois de ser arrastado pelo mar em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio, começou por volta das 7h desta quarta-feira (24).

Familiares do menino estão na cidade e acompanham as buscas.

O menino estava junto com o pai em uma pedra na Praia da Vila, quando o mar os surpreendeu e os dois caíram na água. Agentes salva-vidas conseguiram resgatar o pai mas a criança afundou.

O pai foi levado para o Hospital Municipal Nossa Senhora de Nazareth, foi atendido e liberado logo em seguida.

Nesta terça-feira (23), os bombeiros contaram com o apoio de 4 mergulhadores que vieram da Barra da Tijuca, mas o serviço de mergulho não foi realizado devido às condições desfavoráveis do mar.

Os militares contaram ainda com o apoio de um helicóptero e um navio da Marinha. As buscas do terceiro dia foram encerradas por volta das 18h.

De acordo com o tenente coronel Eduardo Borges, responsável pelo caso, a equipe vai tentar utilizar mais um helicóptero do Corpo de Bombeiros para ajudar nas buscas.

Por G1 — Saquarema

Mutirão realiza testes gratuitos de Hepatite B e C em cidades do interior do Rio

Teste de hepatite é realizado em cidades do interior

 Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Ação vai até o dia 28 de julho em Porciúncula, São Pedro da Aldeia, Búzios, Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana e Arraial do Cabo.

Um mutirão está realizando testes gratuitos de detecção de Hepatite B e C em cidades do interior do Rio.

A ação vai até o dia 28 de julho em municípios do Noroeste Fluminense: Porciúncula, Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana; além das cidades de São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e Arraial do Cabo, na Região dos Lagos.

O mutirão é uma parceria entre o Rotary Club e a Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite.

De acordo com o Rotary Club, a ação busca quebrar o silêncio que existe sobre a doença, diagnosticando portadores do vírus que desconhecem a situação que se encontram.

Confira a lista dos dias e locais:

Porciúncula

23/07- Centro Cultural Dr Edésio Barbosa Silva

24/07- Praça Central de Purilândia

25/07- Praça Alencar da Fonseca Ramos no distrito de Santa Clara

São Pedro da Aldeia

26/07- Praça do Canhão

Armação dos Búzios

26/07- Praça Santos Dumont

Itaperuna

26/07- Avenida Cardoso Moreira, nº 571

Bom Jesus do Itabapoana

27/07- Praça Portela

Arraial do Cabo

27/07- Praça Central dos distritos de Monte Alto e Figueira

28/07- Praça da Independência

Por G1 — Região dos Lagos

Nova decisão judicial recoloca André Granado na Prefeitura de Búzios

Nova decisão judicial recoloca André Granado na Prefeitura

 de Búzios, no RJ — Foto: Divulgação/Inter TV

Essa é a segunda vez que André retorna ao governo neste mês.

Uma decisão da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou que André Granado (MDB) volte ao comando da Prefeitura de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos do Rio.

De acordo com a assessoria de André Granado, já nesta quarta-feira (24), a Prefeitura estará “trabalhando normalmente com o prefeito em seu devido lugar”.

André foi afastado, pela última vez, no último dia 11, por 180 dias devido a uma suposta fraude em um boletim oficial de 2013. Sete dias antes, André tinha voltado a Prefeitura após o desembargador Guaraci de Campos Viana anular uma decisão de maio de 2019 que determinava que o prefeito eleito fosse retirado do cargo.

André Granado é acusado de improbidade administrativa por ter, segundo a denúncia, suspendido a contratação de aprovados em concurso público de 2012 quando assumiu a Prefeitura, em 2013.

Segundo levantamento feito pela Inter TV, a Justiça já determinou o afastamento de André Granado por nove vezes. A assessoria do prefeito confirmou ao G1 que foram realizados, pelo menos, três afastamentos de Granado, do ano passado para cá.

Por G1 — Região dos Lagos

Construtora permitiu que traficantes ficassem com caixas d’água após ameaças, diz funcionária

Caixa d’água teve que terminar de ser serrada por segurança.

Criminosos tentaram roubá-la na quarta-feira (3)

Foto: Reprodução/ TV Globo

Cada um dos reservatórios, de trinta metros de altura, é avaliado em mais de R$ 250 mil. Empresa afirmou que prestou esclarecimentos à polícia e diz não ter envolvimento com a ação dos criminosos.

A Polícia Civil do Rio ouviu uma nova versão para a tentativa de furto de caixa d’água do condomínio Morar Carioca, em Triagem, na Zona Norte. O flagrante do crime foi feito pelo Globocop no dia 3 de julho.

Um engenheira da construtora Direcional, que construiu o prédio, disse que traficantes ameaçaram a empresa. Para não comprometer a segurança dos funcionários, a empreiteira teria permitido que sete reservatórios fossem retirados e ficassem nas mãos dos criminosos. Cada um deles é avaliado em mais de R$ 250 mil.

O que os moradores não compreendem é porque uma caixa d’água nova, que tinha sido substituída em julho do ano passado e sequer recebeu água, estava sendo roubada. A parte que foi serrada chegou a bloquear o acesso ao condomínio.

Em depoimento aos investigadores no início do mês, um sucateiro deu outra versão. Ele informou que pagou R$ 12 mil a um funcionário da Direcional para retirar o reservatório. O sucateiro teria contratado dois guindastes e os trabalhadores para serrar a caixa d’água.

Os reservatórios têm 30 metros de altura e dominam a paisagem do bairro. São onze que deveriam abastecer os quase 20 mil moradores, que reclamam do abastecimento. Apenas um dos equipamentos realmente funciona.

“A descarga, eu tenho que fechar ela se não fica tacando água o tempo todo. Eu tenho que fazer uma obra. Desde o começo foi assim, com o meu dinheiro, a prefeitura não faz nada. Muito mal feita (a obra), muito mal feita”, queixa-se um morador.

Os blocos do programa Minha Casa, Minha Vida, financiados pela Caixa Econômica Federal, foram entregues pela Prefeitura em 2014. As caixas d’água começaram a dar problema logo depois, segundo os moradores.

O que diz a empresa

A construtora diz que executou as obras como previsto, obedecendo todas as normas técnicas e que o empreendimento foi entregue há cinco anos em plenas condições. A Direcional disse ainda que vem prestando esclarecimentos à polícia, que não vai se manifestar até o fim da investigação e ressaltou que não tem envolvimento com ação dos criminosos.

Por RJ2

Advogados de filho de Flordelis abandonam defesa

Flavio está preso na DHNSG – Ricardo Cassiano

Flávio dos Santos, que está preso desde o dia 20 de junho, confessou ter atirado seis vezes em Anderson do Carmo Souza

Rio – No começo da tarde desta terça-feira os três advogados — Maurício Mayr, Flávio Crelier e Anderson Rollemberg — que defendiam Flávio dos Santos Rodrigues, de 38 anos, filho da deputada federal Flordelis dos Santos de Souza (PSC) decidiram que não farão mais parte da defesa. Flávio — que está preso desde o dia 20 de junho e que confessou ter atirado seis vezes em Anderson do Carmo Souza — já teria sido informado da decisão dos defensores. Essa é a segunda baixa em menos de 48 horas de advogados que defendiam o homem. O motivo da decisão não foi informado. Os advogados haviam pedido ao ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), acesso ao inquérito, o que foi concedido.

No começo da tarde de ontem, Alexandra Menezes — que também defendia o filho adotivo do pastor Anderson do Carmo, assassinado em junho — decidiu que não iria mais partir do caso. Alexandra alegou foro íntimo, deixando o caso por motivos pessoais. Segundo a lei, após protocolar o pedido de desligamento do processo, a advogada ainda deve permanecer na defesa do acusado por mais dez dias.

Por RAFAEL NASCIMENTO

Governo do Estado vai dobrar o efetivo da Operação Segurança Presente

A Operação Segurança Presente terá seu efetivo dobrado – passará de 1.000 para 2.000 agentes. O anúncio foi feito ontem (22/07) pelo governador Wilson Witzel durante coletiva de imprensa sobre as ações e resultados da política de segurança do Estado no primeiro semestre deste ano.  Também foi anunciado que o Estado vai destinar R$ 50 milhões para as expansões que irão acontecer ainda este ano e que o valor da gratificação paga aos policiais militares que, na folga, trabalham na Segurança Presente, será igualado ao pago no Regime Adicional de Serviço (RAS) no próximo mês. Na Lei Orçamentária Anual (LOA) está prevista a aplicação de R$ 223 milhões no programa em 2020.

Ao apresentar o coronel Miguel Francisco Ramos Junior para comandar a Operação Segurança Presente, o governador Wilson Witzel disse que a escolha vai facilitar ainda mais a integração com a Secretaria de Polícia Militar. O coronel Ramos está fazendo um levantamento de pessoal, financeiro e operacional do programa.

Na coletiva, o secretário de Estado de Governo e Relações Institucionais, Cleiton Rodrigues, divulgou o calendário das expansões da Operação Segurança Presente para este ano. Serão inauguradas bases em Nova Iguaçu (16/8), Laranjeiras (6/9), Bangu (20/9), Botafogo (4/10), Austin, em Nova Iguaçu (18/10), Duque de Caxias (1/11), Barra da Tijuca (14/11), Miguel Couto, em Nova Iguaçu (6/12), Vila Isabel e Grajaú (20/12).

A Operação Segurança Presente é integrada por policiais militares, agentes civis (egressos das Forças Armadas) e assistentes sociais e tem bases na Lapa, Centro, Aterro do Flamengo, Lagoa, Ipanema, Leblon, Tijuca, Méier, Copacabana e em Niterói.  No primeiro semestre deste ano, as equipes foram responsáveis por 1.157 prisões, cumprimento de 635 mandados de prisão (captura de foragidos da Justiça) e 16.623 atendimentos sociais.