Morre Li Peng, líder por trás do massacre da Praça da Paz Celestial

© David Gray/Reuters Li Peng: Seu anúncio sobre a adoção de uma

 lei marcial em partes de Pequim nas semanas que antecederam a

 entrada de tanques e soldados na praça.

O ex-primeiro-ministro chinês Li Peng, repudiado por ativistas de direitos humanos e por muitos na capital da China por seu papel no massacre da Praça da Paz Celestial em 1989, morreu, anunciou a mídia estatal nesta terça-feira, 23.

Li, que tinha 90 anos, morreu na noite de segunda-feira em Pequim, disse a agência de notícias Xinhua. O falecimento foi confirmado mais de três décadas depois de seu governo autorizar a repressão sangrenta dos protestos pró-democracia liderados por estudantes nas primeiras horas do dia 4 de junho de 1989.

A Xinhua disse que Li morreu após o tratamento malsucedido de uma doença, que não foi especificada. Li ficou conhecido como o “Carniceiro de Pequim” por sua atuação na repressão das manifestações.

Sua morte ocorre no momento em que a China lida com uma crise política crescente em Hong Kong, território de controle chinês onde protestos violentos contra um projeto de lei de extradição representam o desafio popular mais sério ao governo de Pequim desde as manifestações na Praça da Paz Celestial.

Assim como o então líder supremo Deng Xiaoping, Li era visto como um linha-dura assumido responsável por ordenar o ataque que acabou com semanas de passeatas de manifestantes no centro de Pequim em 1989.

Seu anúncio sobre a adoção de uma lei marcial em partes de Pequim em rede nacional de TV nas semanas que antecederam a entrada de tanques e soldados na praça para expulsar os manifestantes o tornou um dos rostos mais destacados de um massacre que continua a influenciar a percepção global da liderança do Partido Comunista da China.

O saldo de mortes comunicado pelas autoridades dias depois da repressão foi de cerca de 300, a maioria soldados. A morte de somente 23 estudantes foi confirmada.

A China jamais forneceu uma cifra precisa, mas grupos de direitos humanos e testemunhas estimam milhares de mortos. O tema é um tabu no país.

Nesta terça-feira, a Xinhua disse que, “com o apoio firme” de Deng Xiaoping, “o camarada Li Peng assumiu uma postura clara, e junto com a maioria dos camaradas do Bureau Político do Comitê Central, adotou medidas decisivas para deter os tumultos e pacificar as revoltas contrarrevolucionárias”.

Li continuou como premiê até 1998, enquanto a China enfrentava a condenação internacional e as sanções impostas por países ocidentais após os episódios de violência.

Mas ele preservou o apoio de muitos dos milhões de trabalhadores de estatais por adotar uma abordagem cautelosa nas reformas econômicas que causaram a perda de empregos e o desmonte da “tigela de arroz de ferro” –as garantias desfrutadas em empregos públicos– promovida por seu vice, Zhu Rongji, que se tornou seu sucessor.

Na terça-feira, a Xinhua chamou Li de “experiente e leal soldado do comunismo, destacado revolucionário e estadista e notável líder do partido e do país”.

(Com Reuters)

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