Filhos de Flordelis presos pela morte do pastor Anderson são colocados em celas separadas por ordem judicial

Flordelis e o marido, o pastor Anderson Carmo, foram casados por

mais de 20 anos e criaram 55 filhos, sendo 51 adotivos

Foto: Reprodução/ Facebook

Separação foi feita após pedido da defesa da mãe do pastor Anderson diante da alegação de Lucas de estar sendo coagido pelo irmão Flávio a mudar versão sobre o crime.

A Justiça mandou colocar em celas separadas os dois filhos da deputada Flordelis (PSD), presos acusados de matar o pastor Anderson do Carmo. A decisão foi tomada na quarta-feira (27) pela juíza da 3ª Vara Criminal de Niterói para garantir a instrução criminal e integridade física de Lucas dos Santos, que alega estar sendo coagido pelo irmão.

Em depoimento, Lucas disse à polícia que estava sendo coagido por Flávio dos Santos a mudar a versão do crime. Ambos estão presos na Penitenciária Bandeira Estampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, e nesta sexta-feira já estavam em celas separadas.

A determinação de separar os dois foi dada pela juíza da 3ª Vara Criminal de Niterói, Nearis dos Santos Carvalho Arce dos Santos, após pedido do advogado Ângelo Máximo, que defende a mãe do pastor Anderson, Maria Edna do Carmo.

Exclusivo: Flordelis entrega à PF áudios com tentativa de extorsão de suposto policial

O crime completou três meses no último dia 16. Lucas e Flávio são os únicos suspeitos de envolvimento no crime presos até então. Os dois são acusados de homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima), com pena prevista de 12 a 30 anos.

Lucas é filho adotivo do casal. Já Flávio, filho biológico de Flordelis. O primeiro está preso acusado de conseguir a arma do crime, enquanto o segundo é apontado pela polícia como o autor dos disparos. Ambos se recusaram a participar da reconstituição do crime, realizada na madrugada de domingo (21).

Flordelis foi casada por mais de 20 anos com o pastor Anderson. Juntos, criaram 55 filhos, sendo 51 adotivos. A família continua na casa onde ocorreu o crime, em Niterói. Segundo a deputada, 45 filhos ainda vivem ali.

Tentativa de extorsão

Fantástico teve acesso a um termo de declarações prestado pela deputada Flordelis à Polícia Federal, no último dia 30. Ela relata ter sido vítima de ameaças por telefone, e de uma tentativa de extorsão, dois meses depois do crime.

A deputada só aceitou conversar com a equipe do Fantástico no escritório de seus advogados. Ela conta que uma das ameaças teria partido de um homem que ela identificou como sendo um ex-advogado de seu filho Lucas.

“Só falava a mesma coisa: eu preciso te encontrar porque eu tenho algo que vai ser muito bom para nós, vai ser muito bom para você, e eu preciso te encontrar”, diz Flordelis.

Ela ainda entregou à Polícia Federal gravações dos telefonemas, às quais o Fantástico teve acesso.

“Venho segurando algumas coisas como a colaboração premiada, eu venho segurando para evitar que ela aconteça. Eu queria ajudar mesmo”, diz um homem na gravação.

Flordelis também disse à Polícia Federal que recebeu “telefonemas dirigidos ao gabinete que ocupa na Câmara dos Deputados em Brasília”. Do outro lado da linha, estaria um homem que se apresentou como policial civil, “que seria lotado na Delegacia de Homicídios da cidade do Rio de Janeiro”.

O suposto policial teria dito que “o mandato de Flordelis estaria ameaçado e que ele poderia influenciar na Delegacia de Homicídios em Niterói, pois que teria parceiros com influência suficiente para tanto”.

“Eu falei, eu não sei do que se trata… Eu preciso gravar, e eu gravei a ligação. Estavam querendo me extorquir dinheiro”, contou Flordelis.

“Tem uma pessoa da família da senhora, e até o momento eu não vou citar nome, entendeu, que garantiu que tem prova de que a senhora estava sendo a mandante, que a senhora sabia de tudo que ia acontecer. Isso eu tô falando com a senhora, não tô nem falando como policial, tô falando como uma pessoa normal, entendeu?”, diz o homem na ligação.

Em outro momento, o suposto policial tenta extorquir dinheiro da deputada. “Eu vou falar português claro com a senhora, a nossa intenção é o dinheiro. E eu sei que a gente pode passar informação para a senhora, para a senhora se resguardar e se defender antes de surgirem fatos novos, entendeu?”, disse.

A Polícia Federal abriu um procedimento para apurar as declarações prestadas pela deputada. E a Policia Civil do Rio de Janeiro, em nota ao Fantástico, afirmou que “a Delegacia de Homicídios de Niterói investiga, em inquérito sigiloso”, esses telefonemas. E que a Polícia Civil nunca foi procurada pela parlamentar para comunicar tais fatos”.

Na entrevista ao Fantástico, Flordelis apresentou uma carta, escrita à mão, que ela diz ser do filho Lucas, preso pelo assassinato. Ela alegou ter recebido a carta das mãos da mulher de outro preso, que a contatou por uma rede social para entregar a correspondência.

A carta, segundo a deputada, traz uma nova versão de Lucas, que envolve no crime um outro filho da dela: Misael, que é vereador da cidade de São Gonçalo. Ele é um dos filhos do casal que acusa a mãe de ter participação no assassinato.

Misael disse à polícia, três dias depois do crime, que “acredita que Flordelis tenha sido mentora intelectual da execução de Anderson”, e que “ela estava descontente com questão financeira”.

O Fantástico procurou Misael, que não quis gravar entrevistas. Mas em nota ao Fantástico ele disse que não participou da execução de seu pai, e que a declaração da mãe “traduz nítida intenção de criar confusão no curso das investigações”.

Por Lívia Torres, Bom Dia Rio

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